
Todas as manhãs ela se dedicava a cuidar de seu jardim de rosas, haviam mudas de todas as cores: vermelhas, brancas, cor-de-rosa de todos os tons e outra de cor peculiar que ela mesma havia cruzado e descoberto. Ia munida de tesoura, luvas e regador. Cuidava de todas com o mesmo carinho e dedicação, mas era na muda de rosas vermelhas que se encontrava seu maior orgulho: uma de tom peculiar de vermelho que custara a vingar, exigindo muito mais de seu tempo e dedicação que qualquer outra para, por fim, tornar-se uma das flores mais resistentes em seu pequeno jardim.
Desta rosa peculiar ela tratava com maior cuidado, não usa suas luvas para que não corresse riscos de amassar-lhe as pétalas sem a intenção por conta da falta de sensibilidade que as luvas de jardinagem causavam. Sua mãe lhe alertava por conta desse descuido pedindo que colocasse as luvas e tomasse cuidado, mas - sem dar-lhe muita atenção - ela respondia:
"Não há porquê preocupar-se tanto, eu criei esta rosa, conheço-a melhor que ninguém, não hei de me machucar em seus espinhos." e continuava sem as luvas.
Um dia, estando mais distraída do que o normal, a garota espetou o dedo em um dos espinhos da rosa vermelha. Assustando-se com o sangue que escorria, correu para sua mãe e pediu que lhe fizesse um curativo.
Sua mãe, enquanto fazia-lhe o curativo, lhe chamou a atenção:
"Mesmo com aqueles que melhor conhecemos, cuidamos e apoiamos, devemos ter cautela pois, não há como conhecer uma pessoa de todas as formas e estar ciente de onde se encontram todos os seus espinhos. Com rosas não seria diferente, cada dia nasce um novo espinho que - esperando por um descuido - prepara-se para furar-lhe o dedo."
A garota, pondo-se de pé novamente, pôs-se a observar o jardim que com seu próprio suor fizera dar frutos e crescer saudável, mas agora - tendo sido ferida por um espinho - que compreendera que mesmo a mais bela rosa que havia sido fruto de seu próprio esforço a atingiria ao sinal de maior descuido.
C.M.G.²

Nenhum comentário:
Postar um comentário